Política Matões
MP investiga ex-prefeito de Matões por rombo de mais de R$ 22 milhões nas contas públicas e violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O Ministério Público do Maranhão investiga a gestão do ex-prefeito Ferdinando Coutinho, de Matões, por possível rombo de mais de R$ 22 milhões e violação da Lei de Responsabilidade Fiscal. O caso apura excesso de gastos com pessoal e contratações sem respaldo financeiro no fim do mandato.
10/11/2025 17h40
Por: Liane Castro

O Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) abriu um Inquérito Civil para apurar possíveis atos de improbidade administrativa e graves violações à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) na Prefeitura de Matões. A investigação concentra-se na gestão do exercício de 2024, quando o prefeito era Ferdinando Coutinho.

A portaria de instauração nº 10003/2025 – PJMTS, assinada pelo Promotor de Justiça Laécio Ramos do Vale, foi publicada no Diário Eletrônico do MPMA e se baseia em relatórios do Centro de Apoio Operacional da Probidade Administrativa (CAO-PROAD).

As investigações giram em torno de dois eixos principais:

  1. Excesso de Gastos com Pessoal: Relatórios do MP indicam que o município ultrapassou o limite prudencial de despesas com pessoal já no 3º quadrimestre de 2024. Essa prática infringe o art. 169 da Constituição Federal e os arts. 22 e 23 da Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal).

  2. Contratações no Fim do Mandato: O MP apura se a gestão contraiu obrigações de despesa nos últimos dois quadrimestres do mandato sem ter disponibilidade financeira para quitá-las, o que é vedado pelo art. 42 da LRF.

A Divergência Contábil de R$ 22 Milhões

O caso ganhou contornos graves devido a uma discrepância significativa nos números apresentados pelas partes envolvidas:

A diferença, superior a R$ 22 milhões, é o centro das atenções do MP e levanta fortes suspeitas sobre a real situação das finanças públicas do município no final da gestão do prefeito Ferdinando Coutinho.

Diante da gravidade dos indícios, o promotor Laécio Ramos do Vale determinou que o caso seja encaminhado ao Procurador-Geral de Justiça do Estado para avaliação de possível responsabilidade criminal dos agentes públicos. O despacho menciona a tipificação de crimes como:

Além disso, o descumprimento das regras fiscais pode configurar ato de improbidade administrativa (Lei nº 8.429/1992), sujeito a sanções como multa, perda de função pública e suspensão de direitos políticos.

Para esclarecer as inconsistências, o MP determinou:

O que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal

A LRF estabelece regras rígidas para a gestão fiscal, especialmente no último ano de mandato. A lei proíbe expressamente que gestores contraiam despesas que não possam ser pagas dentro de seu mandato, evitando o endividamento para o sucessor. O limite para despesas com pessoal na esfera municipal é de 54% da Receita Corrente Líquida. O descumprimento dessas normas acarreta consequências administrativas, civis e penais para os responsáveis.

A investigação segue em andamento, e novas diligências devem ser realizadas para apurar a totalidade dos fatos e identificar possíveis responsáveis.