Turismo Florianópolis
Prefeito de Florianópolis afirma que quem chegar na rodoviária da cidade sem emprego ou casa para morar será enviado de volta, exceto turistas.
Prefeito de Florianópolis gera polêmica ao instalar posto que oferece passagem de volta a quem chega sem emprego ou moradia. Críticos acusam a medida de ferir o direito de ir e vir e promover exclusão social.
06/11/2025 12h14
Por: Liane Castro

A administração do prefeito Topazio Neto (PSD) instalou um posto de controle na rodoviária da cidade com o objetivo declarado de monitorar quem chega à capital catarinense e impedir a entrada de pessoas que não tenham emprego ou moradia. A ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), oferece uma "passagem de volta" para a cidade de origem ou para onde o indivíduo tenha um parente.

De acordo com a prefeitura, desde a sua implementação, a medida já resultou no retorno de mais de 500 pessoas aos seus locais de origem. Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Topazio Neto justificou a iniciativa: "Quem chega sem trabalho ou sem local para morar recebe passagem para a cidade de origem ou onde tenha um parente". Ele acrescentou que o atendimento é feito por equipes de assistência social e visa o acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, finalizando com a afirmação: "Precisamos manter a ordem e as regras".

A medida, no entanto, desencadeou uma onda de críticas nas redes sociais e entre especialistas. O principal ponto de questionamento é a legalidade da ação e sua possível violação ao direito constitucional de ir e vir, garantido pelo Artigo 5º da Constituição Federal.

Críticos apontam que a iniciativa age como um mecanismo de filtro social, selecionando quem pode ou não permanecer na cidade com base em sua condição socioeconômica. Para muitos, a prática reproduz e institucionaliza a exclusão social, tratando a pobreza como um problema a ser removido, e não enfrentado com políticas públicas de inclusão, geração de emprego e moradia.

Especialistas em direito constitucional levantam dúvidas sobre a compatibilidade da medida com o ordenamento jurídico brasileiro, que veda qualquer forma de discriminação e assegura a livre circulação por todo o território nacional.

A Prefeitura de Florianópolis se defende, afirmando que a ação é puramente assistencialista. Em nota, a Semas reiterou que o foco é "oferecer apoio e uma solução" para pessoas em situação de vulnerabilidade extrema que chegariam à cidade sem qualquer perspectiva ou rede de apoio, argumentando que estariam, assim, sujeitas a riscos ainda maiores nas ruas.

Apesar da justificativa social, o caráter coercitivo e seletivo do posto de monitoramento coloca Florianópolis no centro de um debate nacional sobre como as cidades lidam com o fluxo de populações vulneráveis e os limites entre a assistência social e a restrição de direitos fundamentais. A discussão promete se prolongar, com potencial para chegar ao Ministério Público e ao Judiciário.