Política Maranhão
Flávio Dino deixa de seguir Felipe Camarão nas redes após áudios polêmicos, reacendendo debate sobre interferência na política maranhense.
Movimentação nas redes sociais do ministro do STF ocorre no centro de uma crise política no Maranhão, envolvendo aliados do ex-governador e a atual gestão.
23/10/2025 11h59
Por: Liane Castro

Após os recentes desdobramentos na política maranhense, uma movimentação nas redes sociais chamou a atenção: o ministro Flávio Dino deixou de seguir o perfil do vice-governador Felipe Camarão no Instagram. O ato simbólico ocorre no auge de uma crise deflagrada por áudios divulgados publicamente que citam o nome do magistrado.

Em resposta às citações, a assessoria de Flávio Dino emitiu uma nota para esclarecer a posição do ministro. A informação, divulgada pela jornalista Karla Lyma, do Sistema Mirante, reforça que Dino "mantém distância de qualquer articulação partidária desde que tomou posse na Suprema Corte brasileira".

“O Ministro Dino esteve na política até fevereiro de 2024. De lá para cá, ele virou a chave e está no Judiciário. Portanto, ele não trata mais sobre política. Ele só se manifesta em sessões do STF e nos autos dos processos em que relata”, afirmou a assessoria.

O epicentro da crise: os áudios e as acusações

A polêmica teve início com a divulgação de áudios pelo deputado estadual Yglésio Moyses. Nas gravações, o deputado federal Rubens Pereira Júnior é ouvido citando que teria procurado Flávio Dino e o desembargador Ney Bello Filho para “se aconselhar” em busca de uma “pacificação política” entre aliados do ex-governador e o atual governador, Carlos Brandão.

O caso ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (22), quando Rubens Júnior usou a tribuna da Câmara dos Deputados para se explicar sobre os áudios. Em resposta, Yglésio Moyses publicou um vídeo nas redes sociais contestando veementemente o parlamentar, acusando-o de hipocrisia e usando o termo "nepobaby".

O questionamento central: a interface entre Judiciário e política

Em suas críticas, Yglésio focou no cerne da questão que gerou desconforto: a natureza dos diálogos entre um deputado e um ministro do STF sobre assuntos estaduais. “O que um deputado federal tem a tratar com um ministro do STF sobre disputas políticas estaduais? E por que essas conversas não aconteceram à luz do dia, mas sim em reuniões reservadas?”, questionou.

O deputado estadual foi além ao afirmar: “Ele não nega os áudios, apenas muda o tom. E quem muda o tom, mas não o conteúdo, confessa”.

A defesa e a contraofensiva

Em seu discurso, Rubens Júnior afirmou ter sido “apunhalado pelas costas” e classificou as gravações como “ilegais e clandestinas”, feitas por “mafiosos e criminosos”. Yglésio rebateu, alegando que o deputado tenta “transformar chantagem política em novela pessoal” e lembrou que tanto o pai de Rubens, o ex-secretário estadual Rubens Pereira, quanto o próprio deputado, já utilizaram gravações como expediente político.

“Rubens, quem com ferro fere, com ferro será ferido. O problema não é o grampo, é o conteúdo; e o conteúdo dessa vez atinge quem sempre se achou intocável”, disparou Yglésio.

Consequências práticas e a "vida que segue"

A crise já tem reflexos concretos na estrutura do governo. O governador Carlos Brandão retardou as exonerações de Rubens Pereira, da Secretaria de Articulação Política, e de Robson Paz, da Secretaria de Cidades. Ambos entregaram oficialmente os cargos após a revelação de áudios e prints nos quais aparecem pressionando por nomeações em troca de apoio ao Palácio dos Leões.

Enquanto a crise política se aprofunda, o ex-secretário Rubens Pereira pareceu adotar um tom de desprendimento. Na manhã desta quarta-feira (22), ele publicou um vídeo correndo em um condomínio de luxo de São Luís, ostentando uma "peruca nova" e ao som da dupla Zezé Di Camargo e Luciano, em uma clara mensagem de "vida que segue".

A movimentação de Flávio Dino nas redes sociais, portanto, é mais um elemento em um complexo tabuleiro político, simbolizando um distanciamento público em um momento de intenso debate sobre os limites entre o Judiciário e as articulações políticas estaduais.