TERESINA (PI) – Um dos símbolos da era de ouro das ferrovias no Nordeste pode voltar a transportar passageiros. O governador do Piauí, Rafael Fonteles, anunciou um pedido formal ao Governo Federal para reativar o antigo trecho da ferrovia Transnordestina que conecta Caxias, no Maranhão, a Altos, no Piauí, passando por Timon e Teresina. A proposta visa incluir a reativação na renovação do contrato de concessão com a Transnordestina Logística, que vence em 2026.
De acordo com o governador, a própria concessionária já sinalizou interesse em realizar os investimentos necessários para que os trilhos históricos voltem a ser utilizados para o transporte de pessoas. A iniciativa promete impactar diretamente milhares de cidadãos que se deslocam diariamente entre essas cidades, hoje dependentes majoritariamente do transporte rodoviário.
"Essa concessão federal vai ser renovada em 2026. O concessionário tem interesse em fazer os investimentos. Nosso pleito junto ao Governo Federal é que o trecho entre Caxias, Timon, Teresina e Altos volte a funcionar como transporte de passageiros", declarou Fonteles.
O trecho em questão é parte da extensa linha férrea que originalmente se estendia até Fortaleza, no Ceará, cortando importantes municípios piauienses e cearenses, como Buriti dos Montes, Castelo do Piauí, Crateús, Ipu, Sobral, Itapipoca e Caucaia, incluindo ramais para os portos de Mucuripe e Pecém.
Desativada para passageiros desde 1988, a ferrovia já foi um dos principais eixos de integração da região, chegando a operar com seis viagens semanais. Por décadas, foi a ligação vital entre o norte do Piauí e o litoral cearense, transportando não apenas pessoas, mas também impulsionando o comércio e a cultura local.
Enquanto a reativação do trecho norte para passageiros é o pleito atual, as obras do outro segmento da Transnordestina, que ligará o sul do Piauí ao Porto de Pecém (CE), seguem a todo vapor. Esse novo trecho, com previsão de conclusão para 2028, tem foco exclusivo no transporte de cargas, destinado a escoar a produção agrícola e mineral do interior para o litoral.
A estratégia evidencia um aproveitamento multimodal da malha ferroviária, atendendo a duas demandas distintas e complementares: a logística eficiente para as commodities e a mobilidade social para a população.
A volta dos trens de passageiros promete uma série de benefícios para o estado e a região:
Fortalecimento da Mobilidade Regional: Oferecer uma alternativa segura, confortável e de baixo custo para milhares de pessoas.
Estímulo ao Turismo: Reabrir um corredor turístico histórico, facilitando o acesso a cidades do interior com potencial cultural e paisagístico.
Revitalização Econômica: Gerar empregos diretos e indiretos, além de movimentar o comércio e os serviços nas cidades cortadas pela ferrovia.
Resgate Histórico e Cultural: Devolver à população um importante símbolo do desenvolvimento e da identidade nordestina.
Agora, a decisão depende das tratativas entre o Governo Federal e a concessionária para que a proposta seja formalmente incorporada ao novo contrato, reescrevendo, a partir de 2026, um novo capítulo na história da ferrovia no Nordeste.