Polícia Maranhão
Feto encontrado em escola de Coroatá mobiliza Câmara e Conselho Tutelar.
Caso do feto encontrado em lixeira de escola pública em Coroatá gera cobranças por apuração. Câmara Municipal e Conselho Tutelar atuam, mas Polícia Civil ainda não foi formalmente comunicada.
08/10/2025 11h10 Atualizada há 5 meses
Por: Liane Castro

O encontro de um feto humano na lixeira de uma escola pública de Coroatá chocou a cidade e desencadeou uma mobilização urgente de autoridades locais. O caso, de grande gravidade, ainda carece de um registro formal na Polícia Civil, o que tem levado a Câmara Municipal, por meio de sua Comissão da Criança e do Adolescente, a cobrar celeridade e transparência nas investigações.

O vereador Júlio do Moisés, presidente da Comissão da Criança, do Adolescente e do Idoso da Câmara Municipal, tornou-se uma das vozes mais ativas no caso. Em entrevista ao programa Canal Aberto, o parlamentar classificou a situação como "muito delicada" e que "precisa ser tratada com seriedade e cautela".

Ele confirmou que, após diálogo com o Conselho Tutelar, teve conhecimento da veracidade do ocorrido. A principal preocupação destacada por ele, no entanto, é a falta de um Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado na Delegacia de Coroatá.

"Após a tentativa de esclarecimento na delegacia, a comissão buscará a Promotoria de Justiça para solicitar o acompanhamento do Ministério Público", declarou Júlio do Moisés. "Não podemos deixar esse caso sem resposta. O que aconteceu precisa ser esclarecido. Se necessário, levaremos o assunto até São Luís", completou, sinalizando que a comissão pode escalonar a cobrança à capital do estado.

Quando procurado pela reportagem, o Conselho Tutelar de Coroatá confirmou que está ciente do caso e que todas as medidas legais dentro de sua competência estão sendo tomadas. No entanto, o órgão se recusou a fornecer qualquer detalhe sobre a natureza dessas medidas ou o andamento de seu próprio acompanhamento.

A postura é amparada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a divulgação pública de informações que possam identificar crianças e adolescentes envolvidos em situações irregulares, incluindo a confirmação ou negação de casos específicos em andamento.

Em contraponto à movimentação de outros órgãos, a Polícia Civil de Coroatá informou, até as primeiras horas da noite de terça-feira (7), que não havia sido formalmente comunicada sobre o ocorrido.

O delegado titular, Will Soares, afirmou que não tinha conhecimento oficial do caso. Apesar disso, demonstrou proatividade e disse ter determinado a sua equipe de investigação que busque informações e acompanhe de perto qualquer registro que venha a ser feito. A abertura de um inquérito policial para apurar as circunstâncias do fato, no entanto, depende fundamentalmente do registro do Boletim de Ocorrência.

A comunidade de Coroatá aguarda ansiosa pelo desfecho desse triste episódio. Enquanto o Legislativo e o Conselho Tutelar se movimentam nos bastidores, a bola agora está no campo da formalização do caso perante a Polícia Judiciária. A expectativa é que o registro formal seja feito o mais rápido possível, permitindo o início das investigações criminais e o esclarecimento de um caso que toca profundamente os princípios de dignidade humana e justiça.