Finanças Brasil
Donos de cartões de crédito pularam de alegria com nova Lei aprovada por Lula.
Lei 14.690/23 de Lula limitou juros do rotativo do cartão e criou o Desenrola Brasil. Entenda as regras, como renegociar dívidas e o impacto para consumidores e bancos. Tudo sobre o fim dos juros abusivos.
06/10/2025 11h36 Atualizada há 5 meses
Por: Kaio Silvano

Com a sanção da Lei Federal nº 14.690/23 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país deu um passo histórico no combate ao endividamento crônico. A lei, que rapidamente se tornou um dos temas mais comentados, trouxe dois pilares fundamentais: o teto para os juros rotativos do cartão de crédito e a estruturação do programa Desenrola Brasil.

O impacto foi imediato e palpável. A sensação de alívio para quem via suas dívidas se multiplicarem de forma descontrolada fez, como destacaram muitos, com que donos de cartão de crédito "pulassem de alegria". Apenas em 2024, cerca de 15 milhões de pessoas reduziram suas pendências financeiras, impulsionadas por um novo arcabouço legal que prioriza a transparência e a justiça nas relações de consumo.

Este artigo detalha tudo sobre essa legislação transformadora, explicando suas regras, benefícios e o que mudou na prática para consumidores e instituições financeiras.

Por anos, os juros do rotativo do cartão de crédito foram uma das principais causas do endividamento sem fim no Brasil. Taxas que frequentemente ultrapassavam a barreira dos 400% ao ano criavam uma bola de neve incontrolável para o consumidor. Um débito pequeno podia, em poucos meses, se transformar em uma dívida impagável.

Lei 14.690/23 colocou um freio nesse sistema. Seu ponto mais impactante foi estabelecer um limite máximo para os juros rotativos.

Como funciona o limite na prática?

Essa medida, inspirada em modelos internacionais de sucesso, tem um objetivo claro: interromper o ciclo vicioso do endividamento e devolver ao consumidor a capacidade de planejar seu orçamento.


Desenrola Brasil: A Porta de Saída para as Dívidas

O segundo grande pilar da lei foi a oficialização e o fortalecimento do programa Desenrola Brasil. Mais do que uma simples campanha de renegociação, o programa se tornou uma ferramenta digital e acessível para a reabilitação financeira de milhões.

O Desenrola Brasil permite a renegociação de uma ampla gama de dívidas, incluindo:

Para atender a realidades financeiras distintas, o programa foi dividido em duas faixas de atendimento:

Faixa 1 - Para a População de Baixa Renda

Faixa 2 - Para a Classe Média Endividada


Portabilidade do Saldo Devedor: A Liberdade de Escolher Melhores Condições

Uma inovação que empoderou ainda mais o consumidor foi a portabilidade gratuita do saldo devedor do cartão de crédito. Antes da lei, o cliente estava preso à instituição onde tinha a dívida, sujeito às suas taxas.

Agora, qualquer pessoa com dívida no cartão tem o direito de levar seu saldo devedor para outra instituição financeira que ofereça juros mais baixos ou condições de pagamento mais favoráveis. Isso estimulou a concorrência saudável entre os bancos, que passaram a criar ofertas mais atrativas para captar clientes endividados.

O Que Mudou para Bancos e Instituições Financeiras?

Para o sistema financeiro, a nova lei representou um marco de maior responsabilidade e transparência. As instituições tiveram um prazo de 90 dias para se adaptarem e apresentarem ao CMN suas propostas de autorregulação, demonstrando como cumpririam o limite estabelecido para os juros.

A "era dos juros ilimitados" chegou ao fim, forçando uma reestruturação de modelos de negócio e uma busca por eficiência que não dependa exclusivamente de receitas extrativas de juros. Apesar da resistência inicial, o setor teve que se adaptar a uma nova realidade que equilibra lucratividade com sustentabilidade financeira para o consumidor.

Em 2024, o governo federal anunciou a interrupção de novas adesões ao Desenrola Brasil. A decisão, no entanto, veio por um motivo positivo: a melhora do cenário econômico nacional.

Conforme explicou o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, à CNN, o programa foi criado para atacar um problema específico herdado da pandemia: a alta inadimplência. Com a queda histórica do desemprego e o fortalecimento da renda familiar, a redução natural das inadimplências tornou o programa menos necessário no momento.

Pinto ressaltou que não há discussão ativa no governo para uma nova edição, mas não descarta a possibilidade no futuro, caso as condições econômicas mudem. O objetivo central – reduzir o endividamento crônico – foi amplamente alcançado pela lei em seu período de vigência.

Lei 14.690/23 foi muito mais que uma medida paliativa; foi uma reforma estrutural no crédito ao consumidor. Ao limitar os juros rotativos, criou uma barreira de proteção contra dívidas impagáveis. Ao instituir o Desenrola Brasil, ofereceu um caminho real para o recomeço. E ao permitir a portabilidade, devolveu ao cidadão o poder de negociar.

A interrupção do programa é um testemunho do seu sucesso e da recuperação econômica. O legado que fica é de um mercado de crédito mais justo, transparente e humano, onde o consumidor finalmente ganhou voz e instrumentos para retomar o controle de sua vida financeira. Para milhões de brasileiros, essa lei significou a chance de virar a página e recomeçar.