Uma transação aparentemente segura, com documentação verificada, transformou-se em um prejuízo de R$ 24 mil para um servidor do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) e seu filho. O golpe, aplicado na manhã de quinta-feira (18), em Campo Maior, no Piauí, expõe a sofisticação da criminalidade em negociações online e serve como alerta para compradores de veículos de todo o país.
A vítima, um homem de cargo público no Judiciário maranhense, e seu filho residem em Caxias (MA). A trama começou no ambiente virtual, onde encontraram um anúncio de um veículo que atendia às suas expectativas. Após entrarem em contato com o vendedor, decidiram fazer uma viagem de mais de 300 km para concretizar a compra pessoalmente, uma medida que, em tese, aumentaria a segurança do negócio.
Ao chegar ao ponto combinado em Campo Maior, pai e filho procederam com a cautela que julgavam suficiente. Examinaram o veículo minuciosamente e, crucialmente, solicitaram e analisaram toda a documentação – tanto do carro quanto do suposto proprietário. Nenhuma inconsistência foi detectada. O documento de identificação do vendedor e os papéis do carro pareciam perfeitamente autênticos e regulares.
O momento crítico veio durante o acerto financeiro. É quando a narrativa do golpista se inicia. Alegando não possuir uma conta bancária em seu nome, o suposto proprietário orientou que o valor de R$ 24 mil fosse transferido para a conta de um “sobrinho”. Confiando na idoneidade aparente do vendedor e na verificação documental que haviam feito, os compradores realizaram a transferência bancária para a terceira pessoa indicada.
Com o comprovante de pagamento em mãos, as partes se dirigiram ao cartório para finalizar a transferência do veículo. Foi então que a fraude se revelou. Imediatamente após confirmar que os valores haviam sido creditados na conta indicada, o suposto vendedor se recusou terminantemente a prosseguir com a assinatura do documento e a entregar as chaves do carro. Diante da negativa clara e da consumação do golpe, não restou alternativa às vítimas senão acionar a polícia.
O caso foi registrado como Boletim de Ocorrência na Delegacia Seccional de Campo Maior, que agora inicia as investigações para identificar e localizar os envolvidos na aplicação do golpe. A estratégia de usar um laranja (o “sobrinho”) para receber o valor dificulta o rastreamento do autor intelectual do crime.
Especialista Alertam para a Modalidade
Esse modus operandi é conhecido pelas autoridades. O golpe da “conta de terceiro” se aproveita da confiança do comprador e da verificação superficial de documentos, que podem ser bem falsificados. A recomendação é clara e direta: o pagamento deve ser feito exclusivamente para o nome do proprietário oficial do veículo, cujos dados devem bater com a documentação apresentada. Qualquer pedido para desviar o pagamento para outra pessoa, seja parente ou não, deve ser entendido como uma bandeira vermelha incontestável e motivo para abortar imediatamente a negociação.
O caso serve como um alerta severo sobre os riscos inerentes a compras de alto valor, onde a desesperança por um bom negócio pode, por vezes, ofuscar os protocolos essenciais de segurança. Apesar de toda a cautela inicial, o desfecho mostra que a astúcia dos criminosos continua a evoluir.