Política Maranhão
Além de ser pastor, deputados maranhenses favoráveis à PEC da Blindagem respondem a investigações.
Parlamentares maranhenses que votaram a favor da PEC da Blindagem, como Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, são investigados por corrupção e desvio de verbas. Entenda a conexão.
19/09/2025 17h38
Por: Kaio Silvano

A aprovação da PEC da Blindagem pela Câmara dos Deputados pode representar mais do que uma mudança processual na lei: para um grupo de parlamentares do Maranhão, significa uma potencial proteção contra investigações em curso. Ao menos quatro deputados federais maranhenses que votaram a favor da proposta são alvos de operações da Polícia Federal, Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes como corrupção, organização criminosa e compra de votos.

A PEC da Blindagem (Proposta de Emenda à Constituição) é um texto aprovado pela Câmara que cria obstáculos para a investigação, processo e prisão de deputados e senadores. O principal ponto polêmico exige autorização prévia do Congresso Nacional para que qualquer ação penal prossiga contra um parlamentar, mesmo após a concessão de habeas corpus pelo Judiciário. Críticos apontam que a medida cria um "foro privilegiado ampliado" e pode ser usada para proteger políticos investigados. A proposta ainda depende de aprovação pelo Senado Federal.

A votação favorável à PEC por parte desses deputados ganha contornos específicos ao se analisar suas situações jurídicas individuais. Conheça os casos:

Especialistas em direito constitucional questionam o timing e o interesse por trás da proposta. "A coincidência entre o voto e a situação pessoal de alguns parlamentares é notória. A PEC, se aprovada, pode servir como um instrumento de lawfare às avessas, usado para impedir o legítimo exercício da Justiça", analisa um professor de direito de uma universidade federal, que preferiu não se identificar.

A conexão direta entre o voto dos deputados e seus casos na Justiça deve aquecer o debate público no estado, sendo alvo de críticas de grupos de oposição e entidades do setor jurídico.

Agora, a atenção se volta para o Senado Federal, onde a PEC precisa ser votada em dois turnos. Enquanto isso, as investigações contra os quatro deputados maranhenses seguem seu curso sob as regras atuais. A aprovação da proposta pode, no futuro, impactar diretamente o andamento desses processos, levantando debates sobre impunidade, privilégio e a separação entre os Poderes.