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A surpreendente pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência prometia ser um furacão, capaz de causar estragos na corrida eleitoral. Ex-ministro do STF, símbolo do combate à corrupção pelo desempenho no julgamento do mensalão, negro e de origem humilde, Joaquim era o outsider capaz de desestabilizar o status quo e surpreender na eleição.

Por tais características, era de se esperar que a candidatura fosse torpedeada por todos os lados. Petistas, relembrando o julgamento do mensalão, diziam que Barbosa era o candidato da direita, por ter iniciado o que chamam de “perseguição jurídica ao PT”. Já militantes bolsonaristas e setores ligados aos tucanos e governo Temer, faziam questão de lembrar que o ex-ministro foi contra o impeachment de Dilma e havia se filiado no Partido Socialista Brasileiro, rotulando-o de esquerdista.

Antes que o tiroteio se tornasse incessante e começasse a invadir sua vida particular, Barbosa anunciou que desistiu de ser candidato. O potencial furacão dissipou-se numa brisa, e os ventos da política voltaram ao estágio pré-Barbosa, porém ventando mais forte na direção de dois candidatos.
Com a cada vez menos provável candidatura de Lula, que deverá seguir preso em Curitiba, o nome de Ciro Gomes ganhou força na esquerda. Flávio Dino, governador do Maranhão, defendeu que a esquerda se una em torno de Ciro. Também há notícias de que partidos como PP, PR e até o DEM estariam negociando apoiar o ex-governador do Ceará. Um entrave para Ciro é a divisão interna do PT, com uma ala resistente a apoiar qualquer outro nome que não seja Lula e outra já disposta a partir para o plano B, que pode ser o pedetista.

Como vem ocorrendo nos últimos anos, a palavra final caberá a Lula. É possível vislumbrar que o ex-presidente comece a cair nas pesquisas eleitorais, porque o eleitorado vai tomando consciência de que Lula não poderá ser candidato. Desta forma, pode desistir da candidatura antes de agosto e dar sinal verde para o apoio a Ciro, transformando-o em forte candidato a estar no segundo turno.

Pelas bandas governistas, nada indica uma melhora substancial na popularidade do Presidente Temer. A economia segue em recuperação lenta com o desemprego em certa estabilidade. Vai ser complicado para qualquer candidato à Presidência ter alguma ligação com Temer, haja vista a provável debandada de partidos do “centrão” para outras candidaturas. Ainda assim, Alckmin e Temer negociam uma aliança, que pode ser fatal para o tucano.

Ter a máquina federal é importante, mas não é tudo. Com a altíssima rejeição ao governo, é quase nada. A tarefa de retirar votos de Bolsonaro será complicada para Alckmin. O núcleo do eleitorado de Bolsonaro, cerca de 10% a 15%, dificilmente o trocará por Alckmin. E agora, será reforçado por eleitores que demonstravam simpatia por Joaquim Barbosa, já que o deputado fluminense, embora esteja há quase 30 anos na política, está fora de envolvimento com escândalos de corrupção, podendo se apresentar como outsider. Além disso, é muito identificado com pautas da Segurança Pública, junto com corrupção, temas bastante sensíveis aos eleitores, dadas as últimas pesquisas.

Ciro Gomes e Jair Bolsonaro apresentam perfis semelhantes. São autênticos, tem opiniões fortes, às vezes beiram o destempero e não possuem processos por corrupção nas costas. A não ser que um novo tornado aconteça nos próximos meses, devem suplantar os tranquilos e moderados Alckmin e Marina, que além da falta de estrutura de seu partido, agora não pode mais contar com uma possível aliança com Joaquim Barbosa para se fortalecer

 

Fonte: Os Divergentes

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